Lucros de Uns e Perdas de Outros

Jornal Zero Hora

A disseminação da gripe A provocou mudança de planos nas companhias e afetou setores como o turismo e o farmacêutico.

Símbolo da corrida da população para se proteger contra a gripe A, o gel higienizador sofre de um estranho caso de sumiço. Até abril, quando o surto eclodiu no México, o produto recebia pouca atenção nas gôndolas e era difícil de encontrar em alguns casos. Agora, o desaparecimento se deve ao súbito aumento de procura relacionado à epidemia. O mesmo vem acontecendo com as máscaras protetoras e diversos nichos de mercado transformados pelo surto. Do turismo ao setor farmacêutico, empresários estão refazendo planos em razão da doença. A Doctor Clean, fabricante do gel higienizante e líder autodeclarada do mercado interno, precisou aumentar em 300% a produção desde abril, segundo Fabiana Tichauer, sócia diretora da empresa. Fabricado há 10 anos pela companhia, o artigo ainda não havia se tornado hábito do brasileiro e, agora, virou item obrigatório nas prateleiras das farmácias.

Em redes como a Panvel, o gel é o artigo mais procurado por clientes preocupados com a gripe. Em julho, a rede vendeu 30 mil unidades, um aumento exponencial para um produto que saía de mil a 2 mil unidades por mês antes da epidemia.

Isso chega nas lojas e já sai. Temos dificuldade em repor os estoques – confirma Júlio Mottin Neto, diretor de marketing da Panvel.

O mesmo vem acontecendo com as máscaras de proteção, que nem faziam parte do estoque na rede até o surgimento da nova gripe. Apesar dos ganhos, Mottin alega que os produtos são de baixo valor e não terão relevância no balanço da rede.

Versão em comprimido é mais cara do que a em pó

No entanto, a procura pelas máscaras forçou investimentos na 3M, já que a unidade brasileira da empresa atende ao mercado nacional e países da América Latina. Neste mês, a companhia inaugura uma nova fábrica de respiradores, nome técnico dos protetores faciais, com investimento de R$ 11 milhões. Somente em julho, a produção das máscaras cresceu 17 vezes, de 40 mil peças por mês para 680 mil.

Uma das empresas que poderia estar no lado dos vencedores da epidemia, a Roche, laboratório multinacional fabricante do Tamiflu, único medicamento indicado para combater o vírus, vendeu R$ 60,5 milhões em comprimidos para o governo brasileiro neste ano. Como Tamiflu é controlado, o Ministério da Saúde é o único cliente da Roche no Brasil atualmente. Em 2006, o ministério pagou R$ 87,6 milhões para receber o medicamento em forma de pó, o que é suficiente para tratar 9 milhões de pessoas.

Apesar de haver uma aparente sobrevalorização de 677% por tratamento em apenas dois anos, o governo explicou que a diferença nos preços ocorre em razão da forma de apresentação do medicamento: a versão comprada neste ano é mais cara porque passou por um delicado processo de transformação do pó em comprimidos. A Roche não se pronunciou sobre as vendas do Tamiflu.

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