Venda de Gel Antisséptico Dispara com Gripe Suína

Jornal O Estado de São Paulo

Ministério da Saúde recomenda lavar as mãos frequentemente para evitar o contágio.

Por Gustavo Uribe

A venda de gel antisséptico para limpeza de mãos disparou no País. O interesse pelo produto ganhou força com a recomendação do Ministério da Saúde de que lavar as mãos frequentemente é uma das atitudes que ajudam a evitar o contágio pelo vírus da gripe suína. Fabricantes informam crescimento de até 300% na produção do antisséptico e alguns revendedores já encontram dificuldade em repor o estoque do produto.

"Estamos vivendo um boom no consumo de produtos de higiene para as mãos", diz a diretora da Doctor Clean, líder de mercado no segmento, Fabiana Tichauer. "A venda cresceu bastante e as grandes redes também aumentaram o volume de pedidos", completa. "Vivemos uma explosão no mercado. Não temos nem mais tempo para quantificar o número de pedidos", diz Marcelo Marino, diretor da Hi Clean, uma das grandes empresas de produtos de higienização.

O ramo de gel antisséptico começou a passos lentos no Brasil. Enquanto nos Estados Unidos e na Europa o produto se tornou mania entre os consumidores, os brasileiros tiveram certa resistência em substituir a água e o sabonete para a limpeza das mãos. O que parecia ser um negócio destinado a um mercado incipiente, entretanto, ganhou fôlego desde o início de abril, quando foi noticiado o surto de gripe suína no México.

A busca por alternativas de prevenção à doença levou muitos consumidores a procurar produtos de higienização no mercado. "Não é sempre que um indivíduo tem à disposição água e sabão. O gel é uma maneira rápida e eficiente de fazer a higiene", explicou Fabiana. "Além do mais, acaba virando costume. Junto com a escova de dente e o fio dental, muitos já levam o produto na bolsa", completou.

Introdutora do gel antisséptico no País em 1995, em um primeiro momento destinado apenas a médicos e dentistas, a Doctor Clean registrou no segundo trimestre deste ano um salto de 300% na fabricação do produto, em comparação aos três primeiros meses do ano. "A gripe deu impulso ao mercado", reconhece a diretora da marca. Para que o produto siga em ascensão no mercado, tornando-se mais que uma alternativa de prevenção à gripe, Fabiana planeja dobrar até agosto a produção do gel. Hoje, ela está próxima do limite de 15 mil unidades ao dia. "Estamos contratando funcionários temporários e incrementando a produção para atender a essa demanda", diz.

No mesmo ritmo de crescimento está a Hi Clean, que teve alta de 125% nas vendas desde os primeiros relatos da epidemia de gripe suína, em abril deste ano. O diretor da empresa diz que, no mesmo período, o total de revendedores da marca cresceu 12% e houve aumento de 90% no faturamento em comparação ao mesmo período do ano passado. "A demanda está crescendo muito e temos notícias de que falta produto nos estoques", explica Marino. "Estamos trabalhando em busca de insumos e mão de obra", emenda.

A escassez do produto no mercado é confirmada pelos revendedores do gel antisséptico. O superintendente comercial da rede de drogarias Onofre, Carlos Marques, afirma que algumas das farmácias do grupo ficam até dois dias sem receber o gel, dada a procura dos consumidores. "Estamos vendendo bastante. É difícil o produto parar nas prateleiras." Ele conta que antes da gripe suína a rede vendia por mês cerca de 300 unidades do gel. Agora, o número passa de 2 mil. A situação é semelhante na rede de farmácias Pague Menos, que informou ter vendido seis mil unidades do produto em junho.

O infectologista e professor da Unesp Carlos Magno explica que o gel é um produto eficaz para evitar o contágio pelo vírus. "O antisséptico, de fato, inativa o vírus. Ele pode ser uma alternativa à lavagem das mãos." Contudo, o professor esclarece que o uso do gel não imuniza as pessoas de contrair a doença. "É apenas uma precaução. Além do uso do produto, deve-se prestar atenção aos sintomas da gripe e evitar contato direto com indivíduos infectados", completa.

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